Esforçava-se pra ser mais direta, dizer tudo que pensa, sente. Nas noites, antes do sono chegar, ficava repetindo futuras cenas, ensaiando as melhores falas, entonações, eliminando erros. Na hora da ação, ainda que tivesse tudo minimamente planejado, gaguejava tola com o coração disparado e o rosto rubro feito criança envergonhada, patética. Passou a vida inteira tentando frear seus impulsos, diminuir arrependimentos, mas a pouco, decidiu pensar menos, pular de cabeça em cada vontade e jogar os 'para-quedas' pro alto, deixa-los pra alguém mais sensível. Não que fosse forte, pelo contrário, sentia-se extremamente pequena diante das pessoas ao redor, mas enganar-se ultimamente parecia estar funcionando bem. A garota, tinha inexplicável fascínio por tudo aquilo que estava longe do seu alcance, que era proibido ou cheio de regras pra quebrar.Irônico vê-la -ingênua- tentar seguir o caminho imposto com o coração gritando em alerta, não é o que ela quer, nunca vai ser.
