quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Passo horas sem lembrar e sem precisar fazer o menor esforço pra isso. Mas as vezes é tão difícil que me enlouquece...constantemente é difícil demais. E nunca falo isso pra ninguém. Eu se quer estaria escrevendo se dessa vez não estivesse tão descontroladamente confusa. 'Raiva' deveria ser a palavra mas infelizmente não é e isso me inquieta de foma violenta. Eu quero sentir raiva, ódio, rancor, eu quero alimentar esse machucado pra que ele consuma meu pensamento e nunca mais eu possa esquecer de tudo, pra não cair outra vez nas mesmas armadilhas. Consigo ser clara? Mas ao invés disso, minha cabeça se enche de perguntas das quais nunca vou ouvir as respostas. Eu só queria entender o por que. Só isso e estaria pronta pra esquecer, e perdoar, e nunca mais lembrar, e seguir meu caminho, e te deixar seguir o teu. Só queria entender. Parece difícil? Você poderia ao menos me explicar o que eu fiz pra merecer tudo isso? Pra merecer esses machucados e essa maneira brusca e dolorosa de me forçar a mudar...o que eu fiz? O que eu fiz pra ti que te fez me odiar tanto assim? E brincar comigo tanto assim? Por favor...só quero uma explicação sensata e não-covarde encarando os meus olhos e falando nada além do que possa ser verdade, por mais dolorosa que seja, eu preciso disso pra seguir em frente. E seguir em paz.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

V.I.Q.O - Heterônimo Recomposto (Fora do padrão) - Minutos Seguintes


Talvez a minha angústia não seja dor. A gente se dói quando perde quem gosta, mas quem gosta de verdade. Eu me sinto doer quando perco quem gosto. Mas nesse caso não. Eu gostava, acredite, mas me sinto doer por todas as farsas sob as quais fui submetida. Sabe quando a gente se sente mal por ter sido ingênua e acreditado em um conjunto de mentiras? Sabe quando a gente tem um sonho que de repente vira um pesadelo e acorda tentando lembrar em que momento tudo reverteu tanto assim? É basicamente isso. Pouco importa quem partiu dessa vez, se partiu por escolha própria. Perdeu a mim e a todas as possibilidades que eu podia lhe oferecer. Modéstia parte, sei que vou fazer falta. (Risos) Ou talvez não. É, por que, quando as pessoas são desonestas, idiotas, escrotas e indignas, elas não se importam com ninguém... É como um viver inventado. É isso... eu fiz parte de um ‘viver inventado’. Tanto choro, tanta frase feita, abraço ensaiado, riso forçado, tudo tão nítido que não me conformo com o fato de só agora perceber isso. Achei que fosse mais esperta, eu diria. Diria se quem protagonizou cada uma das cenas citadas acima, não fosse uma atriz profissional. A ‘Globo’ é pouco, claro, pra quem merece Hollywood. 

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

O pior não é se sentir sozinha. Não é nem mesmo sair de casa sufocada por uma tristeza inexplicável, ir pra uma rua deserta e sentar perto de uma árvore quieta, sem saber o que pensar ou como fazer o tempo passar. O pior não é olhar no espelho e encarar o próprio reflexo sentindo que suas vontades não fazem sentido, que a vida realmente teveria seguir um rumo diferente se você soubesse como. Juro... Você acreditaria se algum dia se sentisse assim, mas o pior não é não fazer a menor ideia de como reverter os próprios passos. É tentar recuar e dar com a cara na parede por que os caminhos passados vão se esvaindo confome você avança. É observar pessoas na rua e ter uma única frase se repetindo na cabeça como se um narrador psicótico quisesse te deixar pra baixo.  "Por que raios não posso ser normal?" É bem mais que isso. O pior tentar modificar as coisas e se sentir uma palhaça bizarra ao espelho, é rir sem graça da própria 'falta de jeito' e se trancar no quato em seguida desistindo de sair. Por que é bem pior quando 'passar a noite inteira no escuro ouvindo musica' parece bem mais atraente que encontrar com qualquer pessoa. Mas você nao saberia, tenho certeza, você acharia que é bobagem. Eu não sei bem, é. Você deveria ao ignorar o que digo ou escrevo. Estou fora de mim, tenho dito. Os meus pensamentos estão fora... em algum lugar bem perto de Nárnia, acredito... e em troca, algum desvairado-estranho-patético-tosco me emprestou coisas pra pensar. Só pode. É isso, ou quem tem enlouquecido sou eu. Nao sei... apenas me ignore, eu precisava falar e acabei escrevendo essas coisas. Nada faz sentido pra você e talvez nem tanto pra mim... mas as palavras me dão espaço pra respirar, e é por isso, unicamente por isso que ainda insisto em escrever.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Quem se importa com o que acontece ao redor quando uma fagulha mínima de felicidade começa a aquecer cada pequeno pedacinho da gente? Desculpe a demora... estive ocupada demais sendo feliz.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Me desculpa pelas mil desculpas.

Já disse! Você pode sentir o que quiser por mim. Pode se apegar as minhas idiotisses e rir das minhas piadas de graça. Você pode me ter nos teus braços e tentar não me deixar ir. Pode viciar no meu cheiro e até se apaixonar pelos meus trejeitos. Pode tudo isso, pode amar e sentir sem controle. Claro que pode, já disse. Mas eu vou te fazer chorar por várias noites e vou te assutar quando simplesmente acordar de tpm e quiser terminar tudo. Vou te encher de pontos finais e logo em seguida, reticências pra te diexar confuso mesmo. Vou te afastar de mim só pra te fazer perceber que não sou tua e que o hoje não garante o amanhã, não garante o próximo minuto e muito menos o próximo segundo. Vou sumir por dias só pra te ouvir dizer que precisa de mim e depois vou voltar com um peso na garganta e uma nova confusão de pensamentos, lutando pra saber se não deveria ir de uma vez e te livrar dessa agonia. Vou ler teus sms's e deixa-los de lado sem resposta, só por que tenho algo melhor pra fazer ou a preguiça é grande demais. E em seguida vou cobrar que tu me procure mesmo que eu não costume fazer o mesmo. Vou te querer na hora que bem entender, a qualquer lugar e a qualquer instante, com uma intensidade que só eu sou capaz de sentir. Mas não se deixe levar, posso cansar de ti assim que tiver a chance de te ter sem esforços. Vou invadir os teus sonhos, todos eles, e desde então vou tomar teus pensamentos por varias manhãs. Vou te morder e deixar marcas, te beijar com calma e brincar contigo só pra te ver sair do sério. Vou te bagunçar teus cabelos e desarrumar tua vida e te virar pelo avesso. Só te peço que não me culpe. Assim como eu te disse que tu pode me amar, te alertei de todos os meus perigos. Não sou alguém amável e tão pouco sei retribuir a altura. Afaste-se enquanto há tempo.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Sobre um finalmente exausto.

Nunca fui corajosa o suficiente pra apostar em algo que pudesse me fazer criar expectativas. A verdade é que tenho pavor a qualquer possibilidade sequer de acabar me decepcionando. Pefiro recuar dois passos a avançar um, pois se posso me mater segura, não vou arriscar seguir em frente. A vida inteira abri mão dos meus sonhos, dei a cara a tapa, baixei a cabeça enquanto ouvia a decepção das pessoas que mais importam gritarem frustradas sobre minha incapacidade, minha tendência ao fracasso. Nunca rebati. Engoli cada palavra em vário soluços todas as vezes que não conseguia conter o choro; que via gente conseguindo o que eu sempre quis sem querer. Ah, mas sempre tiveram aqueles que tentaram entender, que tentaram me encorajar com algumas frases feitas que por mais clichês que fossem, me fizeram acreditar que teria a mão de alguém pra segurar enquanto esperasse o resultado, fosse ele fracasado ou uma das raras vitórias. Esses foram meus amigos, que por mais errôneos quem pareçam em relação aos velhos costumes de uma sociedade arcaica, nunca me deixara pra trás. Aliás, um deles foi quem me empurrou mesmo que meio desajeitado, em direção ao caminho que pretendo narrar adiante. E desacreditando como fosse, resolvi não temer mesmo que na longa espera tenha escondido meu rosto em seu peito incontáveis vezes.

No tal dia, lembro de que cheguei a cansar fisicamente pelo esforço que fiz pra tentar não pensar em absolutamente nada. "Expectativas não, expectativas não, expectativas não", ficava repetindo pra mim mesma e vez por outra peguei um caderno onde rabisquei a mesma frase em mil direções, era como se tivesse me obrigando a seguir isso. Se conseguisse, quando o resultado me mostrasse um novo fracasso, estaria com a cabeça repleta de espaço pra preencher tranquilamente com o maximo de coisas desimportantes quanto fosse possível, só pra me desligar daquilo tudo, pra esquecer mesmo. A cada pessoa que chegava, maior era a velocidade e o descompasso no lado esquerdo do meu peito. Lembro de estar sentada e levantar, sair andando, tomar água, sentar mais uma vez, ir em um banheiro, ir no outro banheiro, entrar neles fechar a porta por alguns segundo e encostar a cabeça na porta, fechar os olhos e tentar conter um pouco do nervosismo que estava tomando conta de mim e sair de lá logo em seguida sentindo uma vontade quase que incontrolável de voltar pra casa. Aguentei o máximo que pude, até gritar em pensamento um "Chega... eu não aguento mais essa agonia toda.", pegar minha mochila e caminhar em direção a porta. Estava desistindo mais uma vez quando ouvi alguém avisar que a porta abriu e estávamos entrando. O velho anjinho do meu ombro direito sussurrou esperançoso um "Vamos lá! Aguenta só mais um pouco... não morre na praia ao menos dessa vez." e meio que no automático, eu recuei disposta a aguentar até o fim. Lembro de ter procurado pra sentar enquanto esperava, o lugar mais próximo da entrada, pra que pudesse sair sem ser notada assim que tivesse o maldito resultado. E lá eu liguei pro amigo que me empurrou até alí, torcendo pra que ele ainda acreditasse naquilo tudo e me desse um pouco de coragem pra enfrentar a derrota quando ela viesse. Ele parecia nervoso, ansioso, esperando talvez tanto quanto eu, querendo um resultado o quanto antes. "Só mais um pouco", eu pensava e repetia como um mantra, "falta tão pouco...". Ouvi a voz la da fente dizer e repetir o nome de tantas pessoas que pra não perder o controle, comecei a anota-los no mesmo caderninho que usei anteriormente pra tentar me acalmar. Aplausos aos que conseguiram e silêncio aos demais. Em certo instante, eu estava de cabeça baixa com os olhos fechados, repetindo que não deveria pensar em nada, que devia levantar porque já não tinha mais chance... ia desistir mas precisava de força também pra levantar daquela cadeira e voltar pra casa, pra ouvir minha mãe dizer as mesmas frases de decepção que ela disse na vez anterior... e... Escutei como um tapa, o meu nome seguido de aplausos. Levantei a cabeça e olhei ao redor estarrecida. Repetiram meu nome. Bem quando levantei tonta e caminhei até eles. Pronto. Desse momento em diante, nada mais era parecido com a realidade. Os sons mudaram, os cheiros, as vontades, a minha propria voz dentro de mim, o anjinho, as ligações pra quem importa, tudo, tudo, tudo mudou em frações de segundos. No caminho pra casa, eu segurava o papel com o resultado, apertando forte nas mãos, segurando o choro a cada segundo. Eu tinha conseguido, dava pra acreditar? Sorria sozinha com a respiração agitada. Olhando na janela com os pesamentos voando looonge... daí, lembro que pensei nela... na minha vózinhq e no quanto eu queria que ela visse aquelq vitória, só aquela, e do quão lindo seria o seu sorriso se estivesse por perto. Chorei enquanto sorria, pedido a Deus pra que ele realmente existisse e que mostrasse a ela em algum lugar e de alguma forma aquele momento único pra mim... aquele finalmente tão esperado. (...)

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

A face mais conveniente.

"Quer saber? Tu deixa a porra do anjinho que tem no lado direito do teu ombro falar demais e ele acaba se tornando um filho da puta prepotente. Por isso que acabei de joga-lo no meu bolso. Vai ficar lá o tempo que for preciso pra aprender a ficar quieto e deixar de ser imbecil. Tô conversando com o diabinho do meu ombro esquerdo... esse sim sabe o que fazer."

domingo, 1 de julho de 2012

Esse mundo parece não ter lugar pra mim.

Vez'enquando ainda me esforço pra controlar essa vontade que me aparece e me toma e me impulsiona...vontade de pôr fim a cada história incompleta, desistir dos pontos finais e das reticências e das interrogações, rabiscar tudo até que não seja mais possivel ver nada, nennuma sombra de palavra solta e nenhum paragrafo sem sentido posto num papael apenas pra acabar com essa velha falta do que fazer. (...)

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Olha só.

"As vezes pareço uma estranha na minha própria vida, procurando lugar pros meus pensamentos e pra esse poço de idiotasse que só enche um pouco mais a cada dia. Outras, acho que sou tão hipócrita que merecia viver nessa mesmice durante todos os meus dias como castigo por não ter palavra alguma a acrescentar, palavra alguma que realmente importe."

Odeio mentiras, mas invento amores como se fossem reais e passo o dia inteiro imersa nessa sina de sonhar acordada. Não gosto de ironia mas a cada dez frases que falo, nove são sarcásticas. Vivo dizendo que o amor é para os fracos, mas confesso que daria o mundo pra conseguir ser tão vulnerável a esse sentimento que faz as pessoas parecerem bobas sem que tenham a menor pretensão de ser assim. E pra completar, vivo procrastinando meus pensamentos por medo de enfrenta-los e me deparar com uma bagunça grande demais pr'eu ser capaz de organiza-la. Dizem que as pessoas deveriam ter consciência dos próprios erros pra conseguirem aprender com eles. Entretanto, eu, que vivo a apontar cada um dos meus, pareço nunca estar se quer mais perto de muda-los. Ainda assim, toda noite antes de dormir eu invento um amor com nome, endereço, trejeitos e vontades, um amor quase vivo que me faz suspirar imaginando o velho 'como seria se meus sonhos pudessem ser reais'. Ainda assim, ironizo minha bagunça e essa complicação que mistura vontades e só impede que eu me entenda, jogo cada detalhe na minha própria cara pra tentar acordar e acabo empurrando tudo em frente, abismo a baixo junto comigo. Sou uma hipócrita vivendo sempre mais das mesmas falhas, pisando em falso a cada dois passos e recuando a qualquer bifurcação. E o que me resta então? Me contentar. E seguir e escrever e rabiscar e apagar e criar uma nova página e procurar por um novo blog e dormir e acordar e viver exatamente como tenho feito, quem sabe assim, talvez um dia alguém me dê um empurrão ao primeiro sinal de curva bem quando eu quiser voltar atrás...e eu não tenha mais tempo ou opção que não seja mudar.

Nikky Oliveira

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Heterônimo Vivo

Ela tem essa mania estranha de esquecer os próprios problemas pra tentar cuidar das confusões sentimentais de outras pessoas... de pessoas que ela gosta. O fato é que de tanto se deixar de lado, acabou por se acostumar quase que completamente a essas supostas definições alheias de normalidade que agora, se acha diferente demais... o suficiente pra algumas vezes sequer suportar a si mesma e a própria estranheza. Frequentemente parece perder-se em alguns pensamentos, como se os detalhes que só ela observa a levassem pra um mundo só seu. E então, em um dos seus atos que mais admiro, dá de ombros quando a julgam 'sonhadora' ou quando fazem piada dessa distância toda que ela deixa transparecer vez por outra mesmo quando está bem perto de todo mundo. O que ela talvez não saiba, é que é justamente essa capacidade que tem de seguir sempre em frente com suas escapes escondidas e suas cartas na manga que encantam os olhos dos outros, ela não sabe que são exatamente essas diferenças todas que tem, que a separam do restante das pessoas que parecem está completamente confortáveis com 'sempre mais do mesmo'. É...e um um dia, mais alguém vai sonhar tal como ela, e só assim, com esse alguém e suas belas estranhezas mutuas, vai ser necessário partir de vez desse lugar sempre igual.

Fora de Qualquer Sentido

Cospe palavras e engasga aos outros ao invés de si mesmo.
Só não se afoga em tanta hipocrisia
por que é escroto demais até pra certas definições.
Enche o peito que incha alto.
Sobra bastante espaço pro ar já que não tem coração nenhum pra ocupar lugar.
Acontece igual na cabeça.
Nada de cérebro, apenas espaço e ar.
É ser humano, mas pra 'ser' humano é preciso um pouco mais de inteligência, por que desse jeito, tá mais pra ogro que vai ser ator do Shrek quando estrear saindo dos desenhos animados.
A cada grito, um susto.
Só isso.
Esse é o seu melhor.
"O grande assustador de pessoas de verdade."
Sem a própria vida ser de verdade, nenhum risco de fracasso.
Exceto quando alguém rebate.
O problema é que todo mundo se assusta com a mediocridade.

Cuspo palavras mas não engasgo a ninguém, e nem ao ogro a quem as direciono.
Ficam suspensas,
esperando até que a vida desista de dar tapas em inocentes
e comece a nocautear essas pseudo-pessoas grotescas.

Suspensas, ar, esperar, baixar a cabeça.
Até quando os meus motivos vão ser suficientes?
Contenha-se. 

sábado, 2 de junho de 2012

Eu não sei escrever.

Senti(r)mental


O meu erro foi acreditar. Foi confiar a todo momento que era um sonho e que eu estaria segura enquanto fugisse da realidade. Fechei os olhos e segui sem medo confiando na essência embriagante de amar. Meu maior erro foi cair em sono profundo, foi não viver, foi não despertar a tempo suficiente de notar que tudo havia se tornado um pesadelo... E te deixar partir.

terça-feira, 22 de maio de 2012

Esse é diferente e os gêneros? Ah, essa parte, tu imagina o que quiser.

Aí a gente se despediu e ele entrou no ônibus exatamente como fazia nas 'finais de noite' em que nos víamos. Mas dessa vez foi diferente. E eu não sei explicar, mas naquele exato instante em que olhei pra trás, fugindo do que geralmente fazia quando me afastava em direção a minha casa sem sequer manter o pensamento por perto, eu o vi sorrindo sozinho, e sinceramente, notei o quanto gosto daquele sorriso, dos olhos que se apertam quando ele aparece e da curiosidade inquietante que me despertou bem ali. Sabe? A vontade de saber que pensamentos poderiam te-lo despertado, e procurar tudo que fosse relacionado só pra mostra-lo e faze-lo sorrir pra mim sempre que precisasse de um motivo pra me lembrar que aí, nos instantes mais simples e passageiros, mesmo que ninguém mais possa ver, bem aí é que estão os detalhes que eu mais vou lembrar. Detalhes dele, da vida, do mundo ao redor, detalhes que eu deveria ficar atenta e não deixa-los passar por mim. Por que viver é bem melhor quando a gente deixa as luzes apagadas e as estrelas mostram o brilho perdidas na grandeza do céu. Estrelas são detalhes, não acha? Só detalhes espalhados por aí, caindo vez'enquando e fazendo pessoas como eu, cruzarem os dedos, colocarem as mãos no bolso e de olhos fechados fazer um pedido bobo qualquer. E acreditar. É. Eu acho que preciso acordar todo dia e ter 'detalhes', mesmo que nem sempre possam ser os 'teus detalhes', pra me fazer acreditar em mim e na noite e nas canções e em tudo que escapa assim tão fácil das minhas mãos.

Mil Faces de Uma só.

Mas eu parei, bem no congestionamento das minhas atuais vontades, freei meia desordenada e fora de controle, mas não importa, vamos focar na parte em que eu consegui parar. E quieta, finalmente percebi que ninguém nota. Ninguém nota simplesmente se eu tenho me perdido tanto de mim e procurado coisas que me façam bem e me façam sorrir e me tirem um pouco da realidade mesmo que essas coisas não me façam tão bem assim. Ninguém notou as diferenças. E eu senti falta. Não de alguém... alguém que percebesse, digo, eu senti um vazio imensurável aqui dentro, a falta que aquela guria que eu fui um dia faz. Consegue compreender? Eu procurei válvulas de escape e as achei em tantas direções que pensei seguir em frente desenfreada e essa era a sensação que tinha, da velocidade que acelerava e seguia e corria mas quando parei, no exato momento que parei, eu vi que estava no mesmo maldito lugar de antes, completamente estagnada aqui me perdendo também de quem eu tava tentando ser há algum tempo. E decidi que tentaria agora, criar um outro 'eu', mas... mas quem seria então?

sábado, 19 de maio de 2012

Eu quero vomitar tudo. A água, a saliva, a língua, o seco da garganta, a amígdala, o apartamento de milhões de metros quadrados vazios que virou o meu peito. Quero vomitar minha pele, meus olhos, meu fígado, meus horários, minhas listas de vontades. Eu quero tudo fora, tudo fora. Eu quero eu fora. Eu quero ir pra fora de onde está tão devastado e de onde eu tinha pintado tudo de azul [...] A tristeza me fez um milhão de vidas essa semana. Um milhão de almoços e jantares e projetos. Eu sorrindo, implorando às distrações que me levem, que façam remendos em meu peito perfurado pela violência do ar que não assovia mais os seus sons.
Tati Bernardi.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Dentro De Si e Fora Do Eixo

"Pensar me cansa..." (riso)
"Entendo. Cansa a mim também."
"E o que tu faz?"
"Pra não cansar?"
"Não... pra não pensar."
"Não faço. Eu penso, ué."
"Mas eu não quero."
"O que? Cansar ou pensar?"
"Os dois."
"Então não pensa, vai te poupar cansar."
"Como?"
"Te tranca numa bolhinha e não vive."
"Acho que posso fazer isso."
"Pode sim, já te vi fazendo várias vezes."
"Me trancando numa bolhinha?" (riso)
"É. E fugindo."
"Fugindo?"
"Pra variar..."
"Eu não fujo." --'
"Não? Então o que significa esse 'querer não pensar'?"
"Fugir...fugir não é, oras! Só tenho medo."
"Medo de que?"
"De cansar."
"Cansar de que?"
"De pensar."
"Ninguém cansa de pensar."
"Mas você disse que pensar te cansa também..."
"E cansa. Mas...Mas cansa por que chego a conclusões que cansam."
"É, o problema tá nas conclusões."
"O que você concluiu então?"
"Em qual vez?"
"Agora... enquanto pensava."
"Hum...Que o problema, amor, é esse meu eterno medo de ter medo."
"Exato! O problema, é esse teu eterno 'fugir'."
"Meu eterno 'fugir'? Hááá, que bom... --'quer dizer que é isso que tu também sentes?"
"Foco, por favor, foco! Estamos falando de você."
"Mas você também importa, o que tu pensa...o que tu quer."
"Mas eu, meu Deus, eu sou você."
"Eu?"
"É. Eu, você..."
"Como pode?"
"O que?"
"Você ser eu..."
"Fecha os olhos e escuta."
"O que?"
"Os teus pensamentos... ouviu?"
"Humrum...acho que sim..."
"Então..."
"É."
"Eu sei."

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Eu viajo pra longe e

entre uma viagem e outra, me pego pensando no que mudaria se pudesse voltar atrás. E dentre as tantas possibilidades, me abstenho na dúvida de não saber se realmente valeria a pena voltar, pra onde quer que seja, com qualquer que seja a finalidade, voltar atrás me soa como um recuo medroso de quem viveu o que tinha de viver, como tinha de viver, cometendo os erros que tinha de cometer e simplesmente agora, agarra-se a saudade com um medo covarde transpirando, medo de seguir, de virar a próxima rua e ver o que pode vir, deixar-se surpreender com o novo. Mas tem vezes, confesso, que demoro a decidir. Acho que estou inclusa nesse grupo de pessoas covardes que tem medo de escolher entre a esquerda ou a direita só de imaginar os mil trovões que posso ouvir em algum dos lados, salvo quando vez por outra, acordo com aquela vontade de continuar e ver até onde essa minha bagunça pode me levar. As vezes acho que se voltasse, não faria nada igual. Não por falta de vontade, entenda, mais por que aprendi e mudei, não sou mais a mesma guria que faria e diria as mesmas coisas pras mesmas pessoas, pelo contrário, acho que sequer o meu futuro seria o mesmo que tenho traçado. Portanto, ao invés de ficar se prendendo a um tempo que não volta, deixe-o ir e as lembranças que realmente marcaram vão ficar pra não te deixar sentir assim tanta saudade, deixe-o e vá em frente, o que tiver de ser, ah, nem o tal deus pode mudar!

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Sobre as marionetes mais incalculavelmente importantes.

Sabe o que mais? Eu estou de saco cheio desses teus dramas e dramatizações. A vida não é um teatrinho em que tu tem sempre tem que chorar e sair gritando de casa após CADA UMA das nossas discussões. Não sabe por que eu tenho me afastado de ti também? Por que tenho -sinceramente- medo de me aproximar por carinho e receber mais um bombardeio de intolerância vindo de ti; julgamentos, censuras, isso tudo tem repelido toda a saudade que eu tenho de viver como era há um tempo atrás. E não...eu sei que não estou por todo, certa, mas entenda como eu entendi que não é possível que eu apenas cometa acertos, sou humana, estranha e cheia de vontades e sonhos que fogem em gênero, número e grau das pseudo-vontades e dos pseudo-sonhos do restante das pessoas. É normal que me julguem, que me deem as costas, que dirijam a mim um kit de gritos e agressões verbais toda vez que eu tentar mostrar minha opiniões, minha bagunça física e mental, completamente normal que não me aceitem como sou e que eu tenha que mudar se quiser manter pessoas ao redor, mas não.. eu não quero mudar e confesso que a última pessoa que imaginei que me obrigaria a faze-lo ao invés de segurar minha mão e me ajudar a caminhar quando eu tropeçar por ser tão lesada e idiota, seria você. Eu nunca imaginei que tu fosses fugir ao teu discurso de me 'aceitar como sou' de 'estar do meu lado sempre', de 'confiar em mim', de 'tentar não me machucar'. Tu me machuca diariamente, quando eu te peço algo, quando não peço nada, quando fico quieta, quando saio por aí, me machuca por telefone, me machuca com suposições sem cabimento, me machuca até mesmo quando eu tento me aproximar de ti e tu me afastas com um grito ou outro puxando do fundo da tua memória cada um dos meus deslises e cuspindo todos eles de uma vez na minha cara. Eu te amo, mais que a mim, ouso dizer... e acredite, é por isso, é por te amar tanto, que tenho tentado partir.
Odeio quando alteram o tom de voz comigo. Respeito tem que ser mútuo, e a tolerância também, então se vais gritar, não me cobre silêncio.

domingo, 6 de maio de 2012

A plenitude da saudade.

E eu chorei.
Chorei muito.
Chorei de rir por que foi naquele dia que eu acabei todo o meu estoque de felicidade.
Tinha contido em mim, um mundo de sorrisos com cores bem vivas pra jogar ao meu redor.
Quando tivesse a primeira oportunidade.
Quando tivesse a primeira vontade.
E seguisse o primeiro impulso.
Me joguei ao chão e apenas eu fui capaz de enxergar tudo em câmera lenta.
Bem lenta.
Com cada detalhe ecoando aos meus ouvidos.
Eu estava sendo feliz.
E as cores já não eram mais as mesmas.

Como eu vejo.

Acho que tem razão quando diz que mudou muito desde que nos conhecemos. Eu vejo mudança inspirada em ti por cada átimo de segundo que passo ao teu lado. Mudanças de ideia, mudanças de plano, mudanças de vontade, mudanças de futuro... e tu muda tanto que as vezes eu simplesmente acho que não vou conseguir te acompanhar, que tu vais se perder de mim ao virar a primeira rua sem olhar pra trás. Perder-se de mim... não é isso que temo, entende? Receio que acabe por perder-se de si. E isso sim me importa, pois sei exatamente como é ter de esquecer a si mesmo e mudar. Tu acaba mudando tanto propositalmente, que quando menos percebe, muda sentindo falta de quem era. Ah, e essa, é a pior das saudades, dos medos, das vontades. Tu passa a te procurar em outras pessoas e em outras canções, buscando outros lugares e sabores e vai mudando sempre mais até que não tenha mais controle e fique assim, instável como eu, vivendo entre extremos como eu, numa eterna dúvida como eu. Sabe? É simples, eu não quero isso pra ti. E é esse, o principal motivo pelo qual tenho me afastado tanto. Não consigo simplesmente te ver quebrando promessas, mudando de ideia, mudando isso ou aquilo, falando o que não devia, sendo alguém que não queria e ficar quieta sem te convencer que isso tudo é um erro, por que eu também sei que tu só vais notar que 'é um erro' no futuro; e 'lá' talvez não tenha nada do que espera.

Grande parte de mim.

Ontem, eu falei sobre 'escrever' como se fosse possível controlar as palavras, faze-las tomar algum rumo, algum sentido ou até, perder de vez qualquer que seja a razão. E enquanto falava, pensei em cada texto meu, em cada sentimento jogado num blog que em grande parte das vezes, eu tinha certeza que não seria lido por ninguém. Pensei nos meus preferidos, nos que me fazem chorar, nas lembranças que trazem e nas canções a que remetem. Mas sobretudo, eu pensei nas entrelinhas. Tem muita coisa escondida por entre as minhas palavras. E são tantas coisas que as vezes, eu mesma, não lembro bem o que quis dizer quando as escrevi, e acabo por perder a interpretação que quis, e encontrar uma nova maneira de ver tudo outra vez.
Eu poderia inventar uma história qualquer, é verdade, e confesso que já o fiz. Inventei mil histórias, criei mil detalhes e tentei dar vida a mil personagens. Mas é verdade também, que todos eles, por mais estranhos ou diferentes que fossem, por mais fortes ou pequenos que pudessem parecer, sem exceção, tinham escondidos em si a minha mais pura essência, a minha mais clara verdade e por fim, tinham nos olhos que apenas eu era capaz de enxergar, a confusão que sempre se faz na minha cabeça.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Exagerada, jogada aos seus pés, eu sou mesmo exagerada.


É que eu cansei de 'meios termos', se não for preto, que seja branco, tudo bem! Mas cinza não! Eu não quero nada que se aproxime do que existe entre os extremos quando tenho a possibilidade de escolher a intensidade do 8 ou do 80. Portanto amor, peço que só venha até mim quando estiveres tão pleno de certezas e vontades que já não aja mais possibilidade pra qualquer 'voltar atrás'. Enquanto não estiveres assim, pronto pra dedicar somente a mim cada átimo de segundo da tua vida, só posso fechar os olhos e me contentar com a sutileza gentil da minha imaginação, que perde-se vez por outra no desespero exagerado que a vontade de te ter me trás. Mas 'querer' e 'sonhar' nenhum vai chegar sequer a um terço do que vamos ser quando estivermos prontos. Ah, mas Caio Fernando Abreu que me perdoe, pois 'que seja doce', que nada! Quero mesmo é que seja forte não importa o sabor, apimentado e intenso... agridoce se tiver de ser, que deixe o gosto na boca e a vontade de um pouco mais, sempre mais, outra vez até que a gente possa reinventar um novo sabor. "Que seja doce", tenho dito, é para os fracos. Eu não! Eu prefiro venenos fatais à bebidas que matam lentamente.

Como Seria

Vez por outra me pego pensando no que a gente poderia ser, no que seria capaz de viver e no pouco que a gente viveu e que num mínimo espaço de tempo, se fez plenamente suficiente pra ficar guardado por entre os detalhes relevantes que a gente não consegue descartar da memória. Mesmo sobre todos os medos, sobre todo o medo de ter medo e todas as justificativas que eu vivo inventando pra tentar enganar a mim mesma, eu ainda penso em nós, por mais que o meu 'nós' seja egoísta e orgulhoso demais pra dar o braço a torcer e te procurar deixando transparecer a falta que tu faz.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Lei da Vida.

Vou cair pela milésima vez e levar tapas, empurrões, baldes de água fria... vou chorar me lamentando como se não conseguisse mais aguentar e tivesse saturada da minha própria vida. Vou xingar e me esconder, sentir medo, fazer corpo mole... eu sei que vai doer e vou ter feridas que deixam marcas pelo corpo todo e talvez, por mais que cuide delas, eu sei que algumas ainda vão latejar com o tempo, quando o vento soprar forte demais pra evitar o passo em falso e não cair do abismo, não tropeçar em direção ao chão. No entanto, eu sou a única responsável pelos meus abismos. Se fui parar no topo, derramando suor ou sorrindo aos quatro cantos, não importa, fui por que quis, por que me deixei levar e caminhei pé após pé, subindo sem pensar que tem sempre uma nova queda se insinuando pra gente, pro amigo do lado ou pro falso mente fraca. E essa queda uma hora vai atingir a gente. Eu, tu, ele ou nós. Ah, e como vai! Eu sei que vai, não importa o quanto a gente tenha checado os paraquedas, ou o quanto você tenha se preparado pra segurar uma árvore próxima e não se deixar cair, você vai cair...antes de mim ou talvez consiga ficar firme por mais tempo, mas uma hora cai. Ouça e repita: você vai cair como eu caí, como vou cair, como é inevitável que a gente permaneça firme a vida inteira. E não pense que digo isso pra te assustar -o que não preciso fazer já que  a vida por si grita os perigos pra gente a cada segundo por mais calmo que tudo esteja-... digo, pra que tomes coragem e crie forças desde já, pra saiba que vai doer e vai ser difícil, que vale chorar e até fazer drama, exagerar mesmo por que cada um tem seu jeito de reagir às dores, as perdas... mas tu tem que manter o teu equilíbrio e levantar, pé após pé exatamente como fez pra chegar no topo, limpar as mãos e olhar ao redor pronto pra embarcar rumo a um novo abismo.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

vintedoquatro

Faltam quinze minutos pra meia noite e enquanto eu digito sem propósito traçado, uma musica cheia de lembranças toca baixinho. Meu coração tá fora de compasso e pra variar, minha cabeça não passa de uma bagunça. Amanhã, ou mais tarde como preferir, o dia vai ser perfeitamente normal e eu vou seguir a minha rotina como faço todos os dias, eu vou pra faculdade e depois ao trabalho, conviver com as mesmas 'pessoas desconhecidas' que vejo todos os dias, e vou rir e brincar da mesma forma... por que o dia não é especial o suficiente pra comemorações... não pra mim. A questão é que tudo que eu mais queria nesse 'dia normal', era poder ter a companhia do meu violão pra tocar e compor musicas sozinha na praia até anoitecer e então quando tiver tarde o suficiente, eu talvez me sinta a vontade pra voltar pra casa. Esse era meu plano, o mais simples e solitário possível e sequer vou poder faze-lo. Isso, isso me inquieta, me irrita, me descontenta. Agora queria pular essa sexta, ir direto ao sabado, ao domingo e ao restante da minha vida como se esse dia não existisse, como se ele não me causasse tantas lembranças, tanta saudade, tanto rancor. Parece impossível. É impossível. Então me resta erguer a cabeça e fingir que não tem um vazio enorme formado de ausências sufocando o lado esquerdo do meu peito. Fingir que terei um bom dia.

No entanto, eu sou a única responsável pelos meus abismos.

"A pior parte de se permitir sonhar é que a certa altura, os teus pés saem do chão e ao menor e mais despretencioso tapa de realidade, tu despenca forte do abismo de expectativas que tu acabou criando quando pensou conseguir fazer com que a própria vida desse certo."

domingo, 8 de abril de 2012

roborzinho.

O coração estava inquieto desde que acordou e aquela velha sensação de ansiedade dominava os pensamentos, o olhar, o mundo ao redor. Já era noite quando ao sentar-se no sofá observando a quietude de casa, ela resolveu revirar a própria bolha de ar que lhe separa da inutilidade de todo o resto e desafiar a quem quer que cruzasse o seu caminho. Foi então que jogou uma frase e mostrou um caminho. Bombardeio de intolerância pra cima de si.

sexta-feira, 23 de março de 2012

23.03

                    Eu não sei lhidar com perdas e sequer sou capaz de entender e aceitar essa história de que 'o tempo tira todas as dores', o tempo 'sara todas as feriadas'... Hoje fazem dois anos desde que a perdemos e ainda assim eu choro feito criança toda vez que acordo com o peito tomado por uma saudade tão forte que mal cabe em mim. Ainda depois de tantos dias, de tantas coisas que se passaram, 'tempo algum foi capaz de aliviar se quer um terço da falta que ela faz a mim', do vazio que é a vida sem ela.
                    Sabe, quando tenho medo principalmente nas noites de chuva forte, eu costumo cantar baixinho aquela musica que ela sussurrava pra me fazer adormecer. Daí, sob mais lembranças da insistência e do cuidado que ela tinha comigo e por mim, eu vou cantando até conseguir dormir.
                    Ontem, confesso, eu voltei a rezar pro Deus que parece acalentar as pessoas tão bem que talvez, alías, dessa vez ele resolvesse me dar um pouco de atenção. E foi então que de olhos fechados, eu implorei por um sonho. Sim, um sonho mesmo simples, mesmo rápido só pr'eu ter a chance de acordar no dia seguinte com uma lembrança mais nítida de cada detalhe do rosto dela, do sorriso e dos olhos, da voz, das brincadeiras que faziamos uma com a outra e do quanto era bom abraça-la. Naquela noite, eu voltei a dormir no seu colo e por mais que não tivessemos dito palavra alguma, eu pude acalmar esse medo que tenho de esquecer, de simplesmente perder a nitidez das lembranças com o passar do 'tal do tempo'.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Você foi a decepção mais hilária da minha vida, obrigada.

Agora, o velho nó na garganta me vinha como uma daquelas gargalhadas que eu tentava conter mesmo sem exito pra que minha felicidade não incomodasse a absolutamente ninguém. Um riso frouxo que começava discreto pelo canto da minha boca ia crescendo de tal forma, com tal força, que atingia fácil os meus olhos, a minha cabeça e o meu mundo geralmente cinza, presenteando-o com tons fortes que mesmo sem combinarem uns com os outros, eram suficientes dar um pouco de vida àquela paisagem de chuva constante e céu cinza escuro. Mas o que eu realmente sentia se distinguia fácil das crises de riso e da aparente postura de felicidade plena. Tinha em mim também uma porção de vontade de vingança, de fazer cada detalhe tomar uma intensidade tão forte que pudesse ser lembrado mesmo depois de vários anos, pra que eu sempre pudesse sorrir da mesma forma e os mesmos erros nunca voltassem a ser cometidos. Ao meu lado direito, logo acima do meu ombro, um anjinho gritava estérico aos pulos, esperneando e se debatendo pra tentar se fazer ouvir ou ganhar atenção antes que fosse tarde. Ele dizia que sou superior, que não preciso entrar nesse jogo de derrubar as pessoas que mais se importam pra ensinar e mostrar a ninguém que nada do que tentem vai me derrubar outra vez. Do lado esquerdo, o diabinho deitado sobre meu ombro, apenas observava silencioso como se lesse e concordasse com cada pensamento meu: "Mas eu queria ver. Ver como é, entende? Ver como eu pude me enganar tanto com alguém. Conhecer a estratégia e ter todos os argumentos do mundo pra não me enganar outra vez...com ninguém." Sorrimos um para o outro, peguei o anjinho e guardei no bolso. Ele poderia ser útil outra hora... agora não.

"E quanto a me derrubar, adoraria ver sua tentativa."
(Chuck Bass)




#NotaMental

"Abre um sorriso no rosto e espera. Espera tranquilo porque existem tantas pessoas patéticas ao teu redor que uma delas vai fazer a maior 'cagada' de todas -com o perdão da palavra- quando você menos estiver esperando e ao mesmo tempo em que essa atitude extremamente desprezível vai te fazer ter um meio acesso de raiva, vai te arrancar tantos risos que você vai tentar ficar sério pra encarar a situação com mais foco e não vai conseguir se conter. Digo por que sei."

domingo, 11 de março de 2012

Turbilhão de sensações dentro de mim.


Já digitei o mesmo url um milhão de vezes e cliquei no mesmo 'escrever' desse blog tantas outras vezes que se tivesse parado pra contar, estaria em dúvida se o número tem mesmo seis ou nove zeros. Tentei, tentei tanto que se desistisse agora, estaria completamente certa porque ninguém é tão idiota pra insistir em algo que permanece estagnado, entende? Eu não conseguia escrever e dizer tudo que estava me sufocando, talvez por nem eu mesma saber exatamente o que me incomodava. Foi em tão que peguei meu violão, um caderninho e uma caneta, ensaiei alguns acordes que também não pareciam sincronizar com minha linha de pensamentos bagunçados. Pensei em mil melodias, até chegar a dois únicos acordes e toca-los repetitivamente a tarde toda enquanto de olhos fechados, tentava sincroniza-los à desritimia que insiste em bater no lado esquerdo do meu peito. A folha continuava em branco e eu não tinha conseguido compor sequer uma musica, escrever um texto, nem nada que pudesse aliviar aquilo tudo, aquele desentendimento gigantesco que pulsava tomando conta de cada segundo do meu dia, mas agora eu tinha molhado com algumas lágrimas teimosas que transbordaram de algum lugar onde contenho absolutamente todas as minhas emoções, o que deveria estar repleto de palavras. O vazio da folha agora estava cheio do sabor molhado e sutil que a gente sente quando não consegue por em ordem nem um terço do que pensa e sente sobre a própria vida, e por mais cheia que eu ainda tivesse, agora havia um espaço pra sorrir.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Valentine's Day, chocolate branco.

-Sabe o grande problema de tudo? [Sorriu leve] O amor me assusta.
-[risos] Você não pode ta falando sério... ’
-Claro que posso. Me assusta saber que tenho em mãos o coração de alguém quando nem mesmo o meu está seguro comigo.
-Ah, mas a vida não é assim tão conotativa! Não há nada de errado em amar alguém.
-Eu não disse que amar alguém é errado; só quis dizer que ‘ser amado’ assusta, ué! Não que amar seja completamente bom, mas ‘ser amado’ é ainda pior pra mim.
-[risos] Você me deixa confuso, complica demais as coisas... Isso não te cansa?
-Claro que cansa, isso me deixa exausta, sabe? Me tira o fôlego. Às vezes eu tento não pensar em nada pra não acabar me prendendo outra vez nisso tudo. [Esboçou um sorriso] Mas me cansa pela falta de caminhos que resolvam e não por ser supostamente confuso, por que pra mim é bem simples.
-[O outro balançou negativamente a cabeça] Explique melhor então.
-Simples, bem simples até. [Respirou fundo] Eu posso amar, por mais ingênua e idiota que seja ao fazê-lo, mas não posso ‘ser amada’, por que nesse caso cresce em mim um certo pânico, sabe? Eu tento fugir pra longe o mais rápido possível, antes que cause estragos irreparáveis. Ah! E se eu for amada, não posso sob hipótese alguma, saber disso.
-Realmente estranho! [Risos] E se eu disser agora que te amo?
-Não o faça.
-Tá! Não vou dizer, mas você sabe que sinto.
-Você disse idiota!
-Não disse ‘Eu te amo”, eu disse que sinto.
-Dá no mesmo, agora eu sei que você me ama. –‘[Parou pensativa] Se bem que nesse caso, não faz diferença alguma por que sei que não é verdade.
-Háhá! A sua cara, acreditar no que lhe é mais conveniente mesmo!
-Mas ‘amar’ não é assim tão simples. Você não pode simplesmente olhar pra alguém e dizer que ama, assim desse jeito.
-Como não? “Eu te amo, eu te amo, eu te amo” e vou repetir isso quantas vezes quiser por que não importa o que você diga ou o quanto isso supostamente te assuste, essa é a minha verdade.
-[Confusa] Você é meu melhor amigo, certo? Amigos amam! É irmãozinho não assusta, esse amor, só esse, é bom. [Sorriu]
-Ah, então você anda classificando amores pra fugir daquele mais pleno e inclassificável que sente?
-Caramba! Você complica demais as coisas, isso não te cansa?! [Ela sorria já se divertindo com a conversa]
-Cansa sim, te entender é extremamente exaustivo. Mas amar, 'amar' nesse caso é bem simples até.
-Explique melhor. [Em tom de desafio]
-Eu amo você. Ponto. Eu amo.
-Tá, eu também amo você, mas esse 'amor', ele...
[O garoto a interrompeu]
-Ele é amor, só amor, não importa 'como eu te amo' por que isso não vai mudar o fato de ser 'amor', simples, direto, pleno, é amor o que eu sinto por você, garota idiota!
-[Assustada, ela tentava sorrir] E agora?
-Agora? Não mudou ainda, eu acho. [Piscou o olho]
-Não! E agora, meu Deus, você me ama! O QUE EU FAÇO?
-[Gargalhando] Agora, eu espero que você tente fugir por que você é uma idiota e eu sei que vai faze-lo. Vai fugir de mim o quanto for necessário até perceber que me ama também e 'ama de verdade' do jeito que não dá pra classificar...[Pegou na mão dela] Daí, nesse instante em que você notar, vai me procurar assustada com medo de ter se perdido de mim, e só quando for um pouco menos boba, vai ver que em nenhum instante eu 'soltei a tua mão' e que não há motivo pra temer enquanto eu estiver por perto...[Pausou e respirou fundo]...Te amando.



domingo, 5 de fevereiro de 2012

Heterônimo verde.

"Tu tem certeza?
"Não..."
"Então porque tu tá fazendo isso?"
"Porque eu tinha que fazer alguma coisa, entende? Qualquer coisa."
"Não faz isso..."
"Mas não dá pra não fazer nada."



Voltei pra casa tentando convencer a mim mesma de que tinha feito o certo, por que eu não tinha o direito de me arrepender em momento algum, não daria pra simplesmente voltar atrás quando sentisse falta dela e eu tinha certeza que ia sentir. Foi nesse instante talvez, que começaram a surgir as lágrimas nos meus olhos, o iceberg derretendo outra vez, eu respirei bem fundo e olhei pro alto...eu não podia chorar e fraquejar, tomei todas as decisões por conta própria e teria de arcar com cada uma das consequências por mais mal que elas me fizessem dali em diante. Se fez outra vez o nó na garganta inexplicável em palavras, o velho nó na garganta formado por vontades, pelo medo de ter medo, pelas lágrimas contidas, formado por palavras, sentimentos e vazios. Eu teria te entendido se tu tivesse tentado me dizer... tentado me explicar ao invés de deixar parecer que eu não era capaz de te fazer bem, sabe? Eu não te cobrei demonstrações de sentimento, nem mesmo o sentimento em si por que também não tenho direito de faze-lo já que todo o frio que eu sinto constantemente não me permite demonstrar nada também, mas eu queria te fazer bem, entende? Queria te fazer esquecer o que quer que te fizesse sentir triste, toda vez que segurasse a tua mão, que te abraçasse. Eu te deixei ir... não por mim por que isso tudo parece ter tomado um espaço gigante na minha cabeça desde ontem a noite, me desconcentrando e chamando atenção, chamando os pensamentos...eu te deixei ir por ti, por ti mesma e pelo que tu merece sentir. Pra que tu viva o que tem de viver e veja o que for preciso, pra que tenhas certeza do amor que sente ou não e por quem sente ou não... consegue entender?

[...] Mas não te procuro mais, nem corro atrás. Deixo-te livre para sentir minha falta, se é que faço falta… 
— Caio Fernando Abreu

domingo, 29 de janeiro de 2012

Heterônimo Azul.

"É uma atitude digna?"
"Ah velho, na boa, isso é relativo."
"Relativo a que?"
"Ao ponto de referência."
"Que nesse caso é?"
"Você."
"E?"
"Você e as suas definições de amor."
"Exatamente. Eu e os meus conceitos do que é errado. E agora?"
"É. Não foi digno."


. . .


"E 'pontos finais' de ontem?"
"Coloquei 'reticências' e adiei mais um pouco."
"Ah! E isso é digno, certo?"
"Quando meus referenciais se limitam a ela e a comodidade que me proporciona, sim, é digno."
"E justo, é?"
"É sim, justo comigo, e é o que importa."


. . .


"Até quando você vai continuar nessa?"
"Defina 'nessa'."
"Ah, nessa de ficar levando e se divertindo e se enganando..."
"Sinceramente? Eu não sei."
"Ah, e isso é digno?"
"Maldita mania de julgar o que é ou não digno!"
"Não estou julgando. Só te fiz uma pergunta e você pode não responder se quiser...Mas não negue que vai pensar sobre."
"Claro que não vou."
"Pensar ou responder?"
"Os dois."


. . .

"Sabe, estive pensando..."
"Em estar ou não sendo digno?"
"Não, droga! Em... em ser justo."
"Justo com você mesmo outra vez?"
"Não, justo com ela... ela que... a parte dela que me faz bem."
"E importa?" 
"Claro que importa."
"Acho que lembro de ter te escutado dizer que é egoísta."
"E sou. Mas... mas não é justo continuar sendo."
"Nem digno."
"Mas que merda! Pára de ficar julgando!"
"Não estou julgando, droga!"
"Deveria pensar na própria vida e no que tem feito, você."

"E penso. Aliás, agora foi você quem veio falar comigo."
"Amigos não são pra essas coisas? Dar conselhos..."
"Há dias tento te fazer perceber."
"O que?" 

"Não é justo. Nem digno."


. . .

"Me sinto um idiota."

"E você é um."
"Não está ajudando..."
"Se quiser alguém pra passar a mão na sua cabeça, prefira um outro idiota porque eu não vou apoiar teus erros e te ver afundar feito um imbecil."
"Tá."
"Tá?"
"É."
"Você não vai fazer nada?"
"Vou... só queria entender antes, em que ponto a situação reverteu tanto assim."
"Defina reverter?"
"Eu quem devia estar decidindo que atitudes dela são ou não dignas de mim... E justas comigo. Entende? Ao invés de ficar pensando se o que faço é..."
"Sabe qual foi teu erro?"
"Não..."
"Achar que é forte o bastante pra não se importar."
"Mas eu não me importo, esse é o problema."

"Acho que vejo flash's de um 'claro que importa'. Mas se diz o contrário agora, o que falta pra um 'ponto final'?"
"Me desfazer dessa comodidade."
"É cômodo ficar pagando de palhaço enquanto ela faz e fala o que bem entende?"
"Mas esses são os defeitos dela."
"Exatamente. Você não pode insistir em alguém que tem defeitos literalmente insuportáveis."
"Desisto. Só mais sete dias pra ter certeza e me desfaço."
"Pra que esse tempo?"
"Pra ter certeza, já disse."
"Certeza de quê?"
"De que é justo."

"E digno, não esqueça."
"É."