domingo, 11 de março de 2012

Turbilhão de sensações dentro de mim.


Já digitei o mesmo url um milhão de vezes e cliquei no mesmo 'escrever' desse blog tantas outras vezes que se tivesse parado pra contar, estaria em dúvida se o número tem mesmo seis ou nove zeros. Tentei, tentei tanto que se desistisse agora, estaria completamente certa porque ninguém é tão idiota pra insistir em algo que permanece estagnado, entende? Eu não conseguia escrever e dizer tudo que estava me sufocando, talvez por nem eu mesma saber exatamente o que me incomodava. Foi em tão que peguei meu violão, um caderninho e uma caneta, ensaiei alguns acordes que também não pareciam sincronizar com minha linha de pensamentos bagunçados. Pensei em mil melodias, até chegar a dois únicos acordes e toca-los repetitivamente a tarde toda enquanto de olhos fechados, tentava sincroniza-los à desritimia que insiste em bater no lado esquerdo do meu peito. A folha continuava em branco e eu não tinha conseguido compor sequer uma musica, escrever um texto, nem nada que pudesse aliviar aquilo tudo, aquele desentendimento gigantesco que pulsava tomando conta de cada segundo do meu dia, mas agora eu tinha molhado com algumas lágrimas teimosas que transbordaram de algum lugar onde contenho absolutamente todas as minhas emoções, o que deveria estar repleto de palavras. O vazio da folha agora estava cheio do sabor molhado e sutil que a gente sente quando não consegue por em ordem nem um terço do que pensa e sente sobre a própria vida, e por mais cheia que eu ainda tivesse, agora havia um espaço pra sorrir.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Valentine's Day, chocolate branco.

-Sabe o grande problema de tudo? [Sorriu leve] O amor me assusta.
-[risos] Você não pode ta falando sério... ’
-Claro que posso. Me assusta saber que tenho em mãos o coração de alguém quando nem mesmo o meu está seguro comigo.
-Ah, mas a vida não é assim tão conotativa! Não há nada de errado em amar alguém.
-Eu não disse que amar alguém é errado; só quis dizer que ‘ser amado’ assusta, ué! Não que amar seja completamente bom, mas ‘ser amado’ é ainda pior pra mim.
-[risos] Você me deixa confuso, complica demais as coisas... Isso não te cansa?
-Claro que cansa, isso me deixa exausta, sabe? Me tira o fôlego. Às vezes eu tento não pensar em nada pra não acabar me prendendo outra vez nisso tudo. [Esboçou um sorriso] Mas me cansa pela falta de caminhos que resolvam e não por ser supostamente confuso, por que pra mim é bem simples.
-[O outro balançou negativamente a cabeça] Explique melhor então.
-Simples, bem simples até. [Respirou fundo] Eu posso amar, por mais ingênua e idiota que seja ao fazê-lo, mas não posso ‘ser amada’, por que nesse caso cresce em mim um certo pânico, sabe? Eu tento fugir pra longe o mais rápido possível, antes que cause estragos irreparáveis. Ah! E se eu for amada, não posso sob hipótese alguma, saber disso.
-Realmente estranho! [Risos] E se eu disser agora que te amo?
-Não o faça.
-Tá! Não vou dizer, mas você sabe que sinto.
-Você disse idiota!
-Não disse ‘Eu te amo”, eu disse que sinto.
-Dá no mesmo, agora eu sei que você me ama. –‘[Parou pensativa] Se bem que nesse caso, não faz diferença alguma por que sei que não é verdade.
-Háhá! A sua cara, acreditar no que lhe é mais conveniente mesmo!
-Mas ‘amar’ não é assim tão simples. Você não pode simplesmente olhar pra alguém e dizer que ama, assim desse jeito.
-Como não? “Eu te amo, eu te amo, eu te amo” e vou repetir isso quantas vezes quiser por que não importa o que você diga ou o quanto isso supostamente te assuste, essa é a minha verdade.
-[Confusa] Você é meu melhor amigo, certo? Amigos amam! É irmãozinho não assusta, esse amor, só esse, é bom. [Sorriu]
-Ah, então você anda classificando amores pra fugir daquele mais pleno e inclassificável que sente?
-Caramba! Você complica demais as coisas, isso não te cansa?! [Ela sorria já se divertindo com a conversa]
-Cansa sim, te entender é extremamente exaustivo. Mas amar, 'amar' nesse caso é bem simples até.
-Explique melhor. [Em tom de desafio]
-Eu amo você. Ponto. Eu amo.
-Tá, eu também amo você, mas esse 'amor', ele...
[O garoto a interrompeu]
-Ele é amor, só amor, não importa 'como eu te amo' por que isso não vai mudar o fato de ser 'amor', simples, direto, pleno, é amor o que eu sinto por você, garota idiota!
-[Assustada, ela tentava sorrir] E agora?
-Agora? Não mudou ainda, eu acho. [Piscou o olho]
-Não! E agora, meu Deus, você me ama! O QUE EU FAÇO?
-[Gargalhando] Agora, eu espero que você tente fugir por que você é uma idiota e eu sei que vai faze-lo. Vai fugir de mim o quanto for necessário até perceber que me ama também e 'ama de verdade' do jeito que não dá pra classificar...[Pegou na mão dela] Daí, nesse instante em que você notar, vai me procurar assustada com medo de ter se perdido de mim, e só quando for um pouco menos boba, vai ver que em nenhum instante eu 'soltei a tua mão' e que não há motivo pra temer enquanto eu estiver por perto...[Pausou e respirou fundo]...Te amando.



domingo, 5 de fevereiro de 2012

Heterônimo verde.

"Tu tem certeza?
"Não..."
"Então porque tu tá fazendo isso?"
"Porque eu tinha que fazer alguma coisa, entende? Qualquer coisa."
"Não faz isso..."
"Mas não dá pra não fazer nada."



Voltei pra casa tentando convencer a mim mesma de que tinha feito o certo, por que eu não tinha o direito de me arrepender em momento algum, não daria pra simplesmente voltar atrás quando sentisse falta dela e eu tinha certeza que ia sentir. Foi nesse instante talvez, que começaram a surgir as lágrimas nos meus olhos, o iceberg derretendo outra vez, eu respirei bem fundo e olhei pro alto...eu não podia chorar e fraquejar, tomei todas as decisões por conta própria e teria de arcar com cada uma das consequências por mais mal que elas me fizessem dali em diante. Se fez outra vez o nó na garganta inexplicável em palavras, o velho nó na garganta formado por vontades, pelo medo de ter medo, pelas lágrimas contidas, formado por palavras, sentimentos e vazios. Eu teria te entendido se tu tivesse tentado me dizer... tentado me explicar ao invés de deixar parecer que eu não era capaz de te fazer bem, sabe? Eu não te cobrei demonstrações de sentimento, nem mesmo o sentimento em si por que também não tenho direito de faze-lo já que todo o frio que eu sinto constantemente não me permite demonstrar nada também, mas eu queria te fazer bem, entende? Queria te fazer esquecer o que quer que te fizesse sentir triste, toda vez que segurasse a tua mão, que te abraçasse. Eu te deixei ir... não por mim por que isso tudo parece ter tomado um espaço gigante na minha cabeça desde ontem a noite, me desconcentrando e chamando atenção, chamando os pensamentos...eu te deixei ir por ti, por ti mesma e pelo que tu merece sentir. Pra que tu viva o que tem de viver e veja o que for preciso, pra que tenhas certeza do amor que sente ou não e por quem sente ou não... consegue entender?

[...] Mas não te procuro mais, nem corro atrás. Deixo-te livre para sentir minha falta, se é que faço falta… 
— Caio Fernando Abreu

domingo, 29 de janeiro de 2012

Heterônimo Azul.

"É uma atitude digna?"
"Ah velho, na boa, isso é relativo."
"Relativo a que?"
"Ao ponto de referência."
"Que nesse caso é?"
"Você."
"E?"
"Você e as suas definições de amor."
"Exatamente. Eu e os meus conceitos do que é errado. E agora?"
"É. Não foi digno."


. . .


"E 'pontos finais' de ontem?"
"Coloquei 'reticências' e adiei mais um pouco."
"Ah! E isso é digno, certo?"
"Quando meus referenciais se limitam a ela e a comodidade que me proporciona, sim, é digno."
"E justo, é?"
"É sim, justo comigo, e é o que importa."


. . .


"Até quando você vai continuar nessa?"
"Defina 'nessa'."
"Ah, nessa de ficar levando e se divertindo e se enganando..."
"Sinceramente? Eu não sei."
"Ah, e isso é digno?"
"Maldita mania de julgar o que é ou não digno!"
"Não estou julgando. Só te fiz uma pergunta e você pode não responder se quiser...Mas não negue que vai pensar sobre."
"Claro que não vou."
"Pensar ou responder?"
"Os dois."


. . .

"Sabe, estive pensando..."
"Em estar ou não sendo digno?"
"Não, droga! Em... em ser justo."
"Justo com você mesmo outra vez?"
"Não, justo com ela... ela que... a parte dela que me faz bem."
"E importa?" 
"Claro que importa."
"Acho que lembro de ter te escutado dizer que é egoísta."
"E sou. Mas... mas não é justo continuar sendo."
"Nem digno."
"Mas que merda! Pára de ficar julgando!"
"Não estou julgando, droga!"
"Deveria pensar na própria vida e no que tem feito, você."

"E penso. Aliás, agora foi você quem veio falar comigo."
"Amigos não são pra essas coisas? Dar conselhos..."
"Há dias tento te fazer perceber."
"O que?" 

"Não é justo. Nem digno."


. . .

"Me sinto um idiota."

"E você é um."
"Não está ajudando..."
"Se quiser alguém pra passar a mão na sua cabeça, prefira um outro idiota porque eu não vou apoiar teus erros e te ver afundar feito um imbecil."
"Tá."
"Tá?"
"É."
"Você não vai fazer nada?"
"Vou... só queria entender antes, em que ponto a situação reverteu tanto assim."
"Defina reverter?"
"Eu quem devia estar decidindo que atitudes dela são ou não dignas de mim... E justas comigo. Entende? Ao invés de ficar pensando se o que faço é..."
"Sabe qual foi teu erro?"
"Não..."
"Achar que é forte o bastante pra não se importar."
"Mas eu não me importo, esse é o problema."

"Acho que vejo flash's de um 'claro que importa'. Mas se diz o contrário agora, o que falta pra um 'ponto final'?"
"Me desfazer dessa comodidade."
"É cômodo ficar pagando de palhaço enquanto ela faz e fala o que bem entende?"
"Mas esses são os defeitos dela."
"Exatamente. Você não pode insistir em alguém que tem defeitos literalmente insuportáveis."
"Desisto. Só mais sete dias pra ter certeza e me desfaço."
"Pra que esse tempo?"
"Pra ter certeza, já disse."
"Certeza de quê?"
"De que é justo."

"E digno, não esqueça."
"É."

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Sobre as interpretações.

Contenho em mim, uma série de emoções que não me permitiria expor e desde sempre as refugio nos meus textos e nas minhas viagens, escondidas pelas entrelinhas do que escrevo. Todas as noites antes de adormecer, eu apago a luz do quarto e mergulho no silêncio agradável das madrugadas, fantasiando um mundo só meu, onde as coisas acontecem como eu acho que deveriam ser. Daí eu crio diálogos, discussões e um caminho cheio de possibilidades supostamente impossíveis, eu não forço sorrisos e não escondo os meus medos, não há nenhuma censura me impedido de agir conforme as minhas vontades e ninguém me julgando pelo egoísmo das próprias leis. Dentro de mim, acontece de tudo um pouco e absolutamente nenhum de vocês seria sequer capaz de tentar entender se eu não escrevesse esses meus contos, se não tivesse criado nesse blog, uma forma de desabafar e eternizar esse meu 'império de sonhos'. Entendo que possa haver alguém que se importe comigo e queira saber o que se passa nessa minha bagunça, mas não admito que venha até aqui e julgue, censure e ainda tire conclusões erradas sobre o que lê. Críticas assim como os conselhos são extremamente essenciais pra mim, mesmo que em grande parte das vezes eu ignore o que dizem, ambos me servem de base pra que eu entenda e saiba qual parte de mim venho expondo. Me bastam as minhas próprias censuras, os meus próprios receios, minhas regras, eu não preciso de ninguém pra me privar ainda mais de mim mesma.

Nikky Oliveira

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Valentine's Day, chocolate branco.

-Sabe o grande problema de tudo? [Sorriu leve] O amor me assusta.
-[risos] Você não pode ta falando sério... ’
-Claro que posso. Me assusta saber que tenho em mãos o coração de alguém quando nem mesmo o meu está seguro comigo.
-Ah, mas a vida não é assim tão conotativa! Não há nada de errado em amar alguém. –‘
-Eu não disse que amar alguém é errado; só quis dizer que ‘ser amado’ assusta, ué! Não que amar seja completamente bom, mas ‘ser amado’ é ainda pior pra mim.
-[risos] Você me deixa confuso, complica demais as coisas... Isso não te cansa?
-Claro que cansa, isso me deixa exausta, sabe? Me tira o fôlego. Às vezes eu tento não pensar em nada pra não acabar me prendendo outra vez nisso tudo. [Esboçou um sorriso] Mas me cansa pela falta de caminhos que resolvam e não por ser supostamente confuso, por que pra mim é bem simples.
-[O outro balançou negativamente a cabeça] Explique melhor então.
-Simples, bem simples até. [Respirou fundo] Eu posso amar, por mais ingênua e idiota que seja ao fazê-lo, mas não posso ‘ser amada’, por que nesse caso cresce em mim um certo pânico, sabe? Eu tento fugir pra longe o mais rápido possível, antes que cause estragos irreparáveis. Ah! E se eu for amada, não posso sob hipótese alguma, saber disso.
-Realmente estranho! [Risos] E se eu disser agora que te amo?
-Não o faça.
-Tá! Não vou dizer, mas você sabe que sinto.
-Você disse idiota!
-Não disse ‘Eu te amo”, eu disse que sinto.
-Dá no mesmo, agora eu sei que você me ama. –‘[Parou pensativa] Se bem que nesse caso, não faz diferença alguma por que sei que não é verdade.
-Háhá! A sua cara, acreditar no que lhe é mais conveniente mesmo!
-Mas ‘amar’ não é assim tão simples. Você não pode simplesmente olhar pra alguém e dizer que ama, assim desse jeito.
-Como não? “Eu te amo, eu te amo, eu te amo” e vou repetir isso quantas vezes quiser por que não importa o que você diga ou o quanto isso supostamente te assuste, essa é a minha verdade.
-[Confusa] Você é meu melhor amigo, certo? Amigos amam! É irmãozinho não assusta, esse amor, só esse, é bom. [Sorriu]
-Ah, então você anda classificando amores pra fugir daquele mais pleno e inclassificável que sente?
-Caramba! Você complica demais as coisas, isso não te cansa?! [Ela sorria já se divertindo com a conversa]
-Cansa sim, te entender é extremamente exaustivo. Mas amar, 'amar' nesse caso é bem simples até.
-Explique melhor. [Em tom de desafio]
-Eu amo você. Ponto. Eu amo.
-Tá, eu também amo você, mas esse 'amor', ele...
[O garoto a interrompeu]
-Ele é amor, só amor, não importa 'como eu te amo' por que isso não vai mudar o fato de ser 'amor', simples, direto, pleno, é amor o que eu sinto por você, garota idiota!
-[Assustada, ela tentava sorrir] E agora?
-Agora? Não mudou ainda, eu acho. [Piscou o olho]
-Não! E agora, meu Deus, você me ama! O QUE EU FAÇO?
-[Gargalhando] Agora, eu espero que você tente fugir por que você é uma idiota e eu sei que vai faze-lo. Vai fugir de mim o quanto for necessário até perceber que me ama também e 'ama de verdade' do jeito que não dá pra classificar...[Pegou na mão dela] Daí, nesse instante em que você notar, vai me procurar assustada com medo de ter se perdido de mim, e só quando for um pouco menos boba, vai ver que em nenhum instante eu 'soltei a tua mão' e que não há motivo pra temer enquanto eu estiver por perto...[Pausou e respirou fundo]...Te amando.



quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Humanamente mais que amor.


                      [...] Entretanto, inevitavelmente eu vou errar contigo e te decepcionar incontáveis vezes. Você vai se surpreender com atitudes que nunca imaginei ser capaz, sejam elas boas ou desprezíveis. Vez por outra, quando em uma das minhas bagunças internas eu estiver com a cabeça cheia, talvez exploda em ti atirando-lhe verdades desnecessárias ou extravasando da mais inadequada maneia, toda a impulsão que se faz em mim. Vou te irritar com minha infantilidade orgulhosa, e talvez até te desaponte diante dos teus outros amigos. Vou silenciar pra não ter de te julgar, quando ao seu tempo você estiver cometendo as próprias idiotices. Mas não vou poupar-lhe de tapas que a vida possa ter te aliviado, se estes puderem te servir de alerta pra que não ajas feito um tolo. Por várias vezes, vou esconder muito do que sou... mas não pense que é falta de confiança pois ao contrário do que possa vir a imaginar, estarei incansavelmente a todo instante tentando evitar uma próxima falha, um novo erro. Haverão dias em que vou precisar de ti tão intensamente, que talvez até me envergonhe de demonstrar tamanha dependência, e bastará um simples abraço ou um olhar de compreensão, pr'eu desabar no teu ombro mais algumas das velhas lágrimas. Serão passos tortos, tropeços, quedas... mas em contraste a tudo isso, te prometo com convicção que sob hipótese alguma, mesmo que me doa ou que o mundo inteiro crie circunstâncias adversas, eu nunca vou te deixar sozinho. Ao meu jeito, aos meus defeitos e incondicionalmente ao amor que lhe tenho, te peço que não desista de mim quando eu acabar deixando explícita toda a minha imperfeição, que não se renda às minhas criancices e que saiba me perdoar por todas elas. Amizade é um conceito bem mais complexo do que as pessoas costumam definir, e em toda sua veracidade existe um "pra sempre" esperando até que as pessoas se mostrem merecedoras de conhece-lo. O nosso eu já enxerguei... e você, consegue vê-lo?

Moniky Oliveira
{das cartas que não enviei}